Divórcio em cartório: quando dá e quando não dá
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O divórcio não precisa, necessariamente, de processo. Havendo acordo, ele pode ser feito por escritura pública em cartório, no mesmo dia, sem audiência e sem juiz. O que define o caminho não é a vontade de um dos dois: é a presença de acordo e a situação dos filhos.
O que a lei exige para o cartório
A via extrajudicial foi criada pela Lei nº 11.441/2007, que acrescentou o artigo 1.124-A ao Código de Processo Civil de 1973; a regra foi mantida pelo Código atual, no artigo 733. Três condições precisam estar presentes ao mesmo tempo:
- Consenso. Os dois precisam concordar com o divórcio e com tudo o que vem junto: partilha dos bens, uso do nome e, havendo filhos, guarda, convivência e alimentos.
- Advogado. A assistência de advogado (ou de defensor público) é obrigatória na lavratura da escritura (art. 733, § 2º, do CPC). Pode ser um só para os dois, se não houver conflito de interesse, ou um para cada.
- Escritura pública. O ato é lavrado em tabelionato de notas — qualquer um, em qualquer estado, sem vinculação ao domicílio.
O que mudou com a Resolução CNJ 571/2024
Com filho menor ou incapaz, o divórcio pode ser feito em cartório desde a Resolução CNJ 571/2024, mas só se guarda, convivência e alimentos já tiverem sido resolvidos previamente em juízo, com a decisão comprovada perante o tabelião (art. 34, § 2º, da Resolução CNJ 35/2007). Sem essa decisão judicial, o caminho continua sendo o processo.
A regra de partida é o art. 733 do Código de Processo Civil, pelo qual a existência de nascituro ou de filho incapaz afasta o cartório. A Resolução CNJ 571/2024 alterou a Resolução CNJ 35/2007 para abrir essa exceção.
É uma exceção com condição, não uma liberação geral: o que o cartório pode fazer é formalizar o divórcio de quem já tem a situação dos filhos definida judicialmente. Ele não decide sobre os filhos.
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Quando o caminho é o processo
A via judicial é necessária quando falta acordo sobre qualquer ponto, quando há filho menor ou incapaz com guarda, convivência ou alimentos ainda em aberto, ou quando um dos cônjuges é incapaz.
Não havendo acordo, o divórcio em si não fica impedido — ele é um direito que não depende da concordância do outro. O que vai a julgamento são os pontos em disputa.
Documentos que o cartório costuma pedir
Certidão de casamento atualizada, documentos de identidade e CPF dos dois, pacto antenupcial se houver, documentos dos bens a partilhar (matrícula do imóvel, documento do veículo) e, quando for o caso, a certidão da decisão judicial sobre os filhos. Cada tabelionato pode pedir complementos.
Perguntas frequentes
Quanto tempo demora o divórcio em cartório?
Estando a documentação completa e havendo acordo, a escritura pode ser lavrada no mesmo dia. O prazo real depende da conferência dos documentos pelo tabelionato e, havendo partilha de imóvel, do registro posterior na matrícula.
Dá para fazer o divórcio em cartório com filho menor?
Desde a Resolução CNJ 571/2024, sim — mas só quando guarda, convivência e alimentos já tiverem sido resolvidos em juízo, com a decisão apresentada ao cartório (Resolução CNJ 35/2007, art. 34, § 2º). Enquanto esses pontos estiverem em aberto, o caminho é o processo.
Preciso de advogado mesmo sendo consensual?
Sim. A assistência de advogado ou de defensor público na escritura é exigência do art. 733, § 2º, do Código de Processo Civil (regra que vem da Lei nº 11.441/2007) e não pode ser dispensada, ainda que os dois estejam de pleno acordo.
Posso me divorciar sem partilhar os bens agora?
Sim. A partilha pode ser deixada para depois, e o divórcio ser averbado antes. Adiar tem efeitos práticos — sobre o patrimônio e sobre eventual novo casamento — que merecem análise do caso concreto.
Fontes oficiais
A base legal citada neste texto pode ser conferida direto na fonte:
- Lei nº 11.441/2007 — criou a via extrajudicial para separação, divórcio e inventário.
- Código de Processo Civil — divórcio e inventário por escritura pública — arts. 610 e 733.
- Resolução CNJ 35/2007 — disciplina a lavratura dos atos notariais.
Fonte: Resolução CNJ 571/2024, que alterou a Resolução CNJ 35/2007.
Conteúdo informativo. Não substitui a análise individual do seu caso, e não constitui consulta ou orientação jurídica — Provimento 205/2021 do CFOAB.